Tirar a máscara, poder respirar livremente e correr para abraçar todo mundo que não viu em mais de um ano de pandemia. Se você já está planejando tudo o que vai fazer depois de tomar a vacina contra a Covid-19, tenha calma! Leia este artigo até o final e saiba o que os médicos e cientistas do mundo todo alertam sobre a vida pós-vacina. 

Acompanhe! 

A chegada das vacinas

Em dezembro de 2020, depois de meses de pandemia, finalmente tínhamos a vacina contra Covid-19. No Brasil, ela começou a ser distribuída no mês seguinte, já em 2021. Desde então, apesar do número ainda não ser alto o suficiente para imunizar toda a população, a esperança está no horizonte. 

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), elaborou uma tabela com as características das vacinas autorizadas para uso emergencial no Brasil e também as respectivas bulas para profissionais de saúde e pacientes. Veja a seguir.

Vacinas autorizadas para o enfrentamento á Covid-19

Reprodução: Anvisa

Com a chegada das vacinas, uma das dúvidas mais recorrentes da população está relacionada com a volta à normalidade. 

Afinal, as medidas de proteção podem ser reduzidas após a vacina? Já adiantamos, ainda não. 

Medidas de proteção após a vacina

Especialistas alertam que não se pode baixar a guarda: “aplicar a vacina contra o coronavírus não é carta branca para ignorar medidas de saúde como distanciamento físico e lavagem das mãos”, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os protocolos de segurança, como o uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento não devem ser deixados de lado. E isso se dá por motivos diferentes. Selecionamos três deles.

Três motivos principais para permanecer em isolamento mesmo após a vacina 

Quando falamos sobre doenças  transmissíveis entre pessoas, é preciso assegurar que grande parte da população esteja vacinada para garantir a imunização generalizada. 

Por isso, enquanto há circulação do vírus, é importante que os protocolos de segurança sejam seguidos rigorosamente. Dessa maneira, a exposição ao vírus diminui e a transmissão se torna mais difícil.

Entenda o porquê vamos precisar de um pouco mais de tempo e paciência até que se possa viver uma vida normal. 

1- Funcionamento da vacina

É importante ressaltar que a vacina não é um remédio, mas um imunizante que ativa o sistema de defesa do corpo, e é esse sistema capaz de prevenir a contaminação. Mas, de acordo com os cientistas, nosso corpo demora um tempo para desenvolver a resposta imunológica.

Depois de tomar a vacina é preciso esperar um determinado período de tempo — conforme recomenda o fabricante da vacina — para que o corpo tenha uma resposta imunológica. Um exemplo prático para que possamos entender este tempo, é o caso da vacina contra a febre amarela.

Por isso, quando você vai viajar e precisa tomar a vacina contra a febre amarela, é necessário tomá-la com, pelo menos, uma semana de antecedência.

Já falamos aqui sobre a importância das vacinas para a saúde pública. Depois que terminar de ler este artigo, passe por lá. 

No caso da vacina contra a Covid-19, tem um outro motivo que nos faz esperar depois da vacinação.  

2 – Imunidade em uma e duas doses, qual a diferença?

A maior parte das vacinas é aplicada em duas doses. Este é o caso da Pfizer, AstraZeneca, Moderna e a CoronaVac. Mas, qual a diferença entre vacinas de uma e duas doses? 

A médica infectologista, Cláudia Murta, explica o que difere as vacinas de doses únicas das de duas doses. Ela faz parte do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 e está na linha de frente do Hospital Santa Casa BH.

De acordo com a médica, o que define a quantidade de doses a serem aplicadas é a forma com que a vacina foi produzida. 

A CoronaVac, que está sendo desenvolvida pelo Laboratório Sinovac e pelo Instituto Butantã, por exemplo, é feita com o vírus inativado. Dessa maneira, o corpo que recebe a vacina com o vírus — já inativado — começa a gerar os anticorpos necessários no combate da doença.

“O intervalo entre a aplicação da primeira e segunda doses é de 14 a 28 dias, porque os estudos iniciais mostraram que é dessa forma que ela vai induzir maior produção de anticorpos”, explica.  

Já a vacina de Oxford-AstraZeneca usa uma tecnologia diferente.  Ela é feita com “vetor viral morto (um vírus inativado parecido com o que causa resfriado comum) e um pedaço do coronavírus”, assim esse vírus não tem capacidade de se replicar no organismo humano ou prejudicar a saúde.

“Todas as fases de estudos da vacina AstraZeneca mostraram que a maior imunogenicidade  é com duas doses, aplicadas em um intervalo maior, que corresponde a 3 meses”, salienta a doutora Cláudia. 

O imunizante produzido pela Janssen, até o momento, é o único aplicado em dose única. Isso porque, “a forma com que a vacina foi feita e os estudos iniciais, mostraram que uma dose só já induz uma produção de anticorpos suficiente”, elucida a infectologista. 

A infectologista da Santa Casa BH salienta ainda que as vacinas foram liberadas há pouco tempo, e os estudos ainda são muito recentes. Além disso, os estudos ainda não encontraram respostas sobre a quantidade de tempo que o corpo estará protegido da doenças.

“Se será preciso alguma outra dose ou reforço mais pra frente, é uma resposta que a gente ainda não tem, não sabemos quanto tempo essa proteção vai durar. É por isso que todos os voluntários que estão participando das pesquisas continuam sendo acompanhados para vermos, a longo prazo, como ficará esta proteção”, completa.  

Para conferir o status das análises para registro e uso emergencial de todas as vacinas contra a Covid-19, clique neste link.  

Ainda assim, as medidas de distanciamento e o uso da máscara continuam sendo importantes no pós-vacina.

É importante lembrar que nenhum imunizante tem 100% de eficácia. Dessa forma, há uma chance, embora pequena, de que o seu corpo não desenvolva a resposta imunológica esperada. 

No caso da vacina da Pfizer, por exemplo, após a aplicação das duas doses, a eficácia é de 95%. Isso quer dizer que, mesmo vacinado, ainda há uma chance de 5% de contrair o vírus. 

É por essa razão que é indispensável que boa parte da população seja vacinada, é o que especialistas chamam de Imunidade de Grupo ou Imunidade de rebanho. Veja o que isso quer dizer na prática.

3 – À espera da Imunidade de rebanho

Para interromper a circulação do coronavírus é preciso, segundo a OMS, que boa parte da população seja vacinada. A imunidade de rebanho protege também quem não pode ser vacinado. É o caso das pessoas que tenham alergia a algum dos componentes que compõem a fórmula da vacina. 

A imunidade de rebanho é um conceito que já existe há muitos anos, sendo usado para outras doenças, acontece quando “grande parte da população vacinada ou, somada a isso, as pessoas que já foram infectadas pelo vírus e que, por isso, desenvolveram anticorpos, vão bloquear a disseminação do vírus”, explica a infectologista. 

Então, quem está no meio do rebanho e não tomou a vacina estará mais protegido “porque em volta desta pessoa está todo mundo vacinado, logo não tem como a doença chegar nela”, completa.

De acordo com Murta, ainda estamos longe de alcançar a imunidade de rebanho, não só aqui no Brasil, mas no mundo todo. 

“Com os dados que temos hoje, podemos afirmar que provavelmente o coronavírus continuará circulando durante meses, ou até alguns anos. Pode ser que de vez em quando a gente tenha um ou outro caso de Covid-19”, comenta. 

Isso tudo mostra que temos motivos de sobra para manter os cuidados: máscara, higienização adequada das mãos e distanciamento social.

A probabilidade de contágio de Covid-19 é muito baixa entre pessoas que usam corretamente a máscara e mantêm o distanciamento adequado. Não deixe de usar! 

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